Ninguém falando sobre o show dos Racionais MC's. Ninguém falando sobre o Mondo Generator. Ninguém falando sobre as homenagens a Paulo Vanzolini. Ningúem falando sobre Gal Costa, Criolo, Lobão, Jorge Mautner. Ninguém falando sobre os Saraus. Ninguém falando sobre cultura, só sobre violência.
A tática do Panis et Circenses ainda funciona, pois a prova está aí. Novecentas atrações em 24 horas, milhões de pessoas ocupando o centro de uma cidade e duas mortes na conta, sem contar feridos, número oficial de roubos (que deve ser muito maior).
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| Vale a pena? Suplicy é um amor, mas deu carteirada (Foto: Gabriela Biló/Futura Press) |
Um ano tem 52 semanas; 900 atrações divididas por 52 finais de semana resulta em 17. Por que não realizar 17 eventos, shows, apresentações culturais gratuitas todo fim de semana? Não seria mais inteligente distribuir as 900 atrações durante 12 meses em um ano?
É preciso concentrar todas as atrações em 24 horas, lotando os transportes públicos, que não são eficientes, colocando em prova a segurança, que não é eficiente... deixando absolutamente tudo nas mãos das pessoas? É o caos, uma roubada.
As duas mortes aconteceram por motivos distintos, mas ambos violentos: roubo seguido de morte e overdose. O que é Virada Cultural senão um fim de semana de abusos em vários sentidos?
No início, a Virada foi um acontecimento. Ocupar o centro da cidade de São Paulo era sedutor. Ver as ruas sem carros e o tradicional estresse cotidiano foi incrível. Mas hoje já não é possível ter o mesmo prazer. Se é possível, por favor, ensina-me.
E essa discussão não tem a ver com cobrar ingressos para eventos culturais ao invés de democratizar o acesso, isso é louvável e a prática deve continuar! O debate é sobre o uso inteligente das ferramentas que um município possui e da verba pública.
Volto a dizer: Tudo o que coloca vida em risco me causa dúvida.

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