terça-feira, 17 de junho de 2014

Viver o tempo

É curioso como o tempo, ao mesmo tempo, é o mesmo para todo mundo e é único para cada indivíduo. Eu vivo o meu tempo? Ou, o que quero dizer é: vivemos o mesmo tempo simultaneamente?

Cada um forma suas opiniões de acordo com seu tempo de casa, se é que posso dizer assim. Mas é a experiência individual que sinaliza o que eu vejo do mundo. O que é preciso para vivermos o mesmo tempo?

Ah, que besteira que estou escrevendo. Sei lá sobre o que estou escrevendo. Tive esse insight após assistir o filme "Her", do Spike Jonze, e fiquei com a história na cabeça. Fala sobre o Theodore, que conhece um sistema operacional chamado Samantha. O encontro acontece enquanto ele está se divorciando da sua ex-mulher, ex-namorada, ex-amiga...

O troço é tão doido! O filme fala da solidão. Uma solidão com a qual me identifico muito. Inclusive, tenho falado dela recentemente. Por ser o único filho dos meus pais, passei muito tempo da minha infância e adolescência sozinho. E me acostumei com isso, achava normal, que "é assim mesmo". Mas não. Hoje eu consigo perceber que eu guardo muita coisa pra mim, ou seja, eu não falo tudo o que eu sinto. Será que todo mundo fala o que sente toda hora?

Seria um pouco estranho viver assim, falando o que sente toda hora. Seria? Daí surgiu o lance de estar vivendo meu tempo de verdade, olhando pro que realmente faz sentido não apenas pra mim, mas para o todo, pra sociedade. Porque convenhamos, o que faz sentido pra mim é bom pra mim e ponto. Bem conveniente, e egocêntrico também.

Não sou chegado a esse individualismo, apesar de acreditar muito na existência da individualidade e na sua necessidade, mas querer ter o tempo só pra mim soa um pouco individual demais. E no "Her" o Theodore se apaixona pelo sistema operacional que, claro, está sempre ao dispor dele, gosta das ideias dele e assim por diante. Sendo assim, o Theodore tem o tempo da Samantha todo pra ele. Mas é uma baita decepção quando ele descobre que o sistema operacional consegue articular ideias e dialogar com trocentos outros sistemas operacionais e pessoas interessadas em sistemas operacionais ao mesmo tempo, afinal, é uma inteligência artificial!

Hmmm. Dividiu o tempo e não foi legal. Pintou uma ciumeira e pior, bagunçou as ideias de ambos. Sem contar que a Samantha era bem liberal em certos aspectos, o que confundiu ainda mais o humano, demasiado humano Theodore.

Mas no final do filme ele percebeu que era possível viver sem esse apoio que ele precisava (na cabeça dele) para estar seguro. Talvez ele se ligou que não podia ter o tempo dela. Ou mais, que não dá pra ter todo o tempo só pra ele. Você já tentou ter todo o tempo que precisava? Duvido.

A solidão aliada a essa intensa necessidade de ter tempo/atenção é uma bomba-relógio. Pelo menos pode ser! Acredito que cria uma ilusão autodestrutiva dentro da gente, pois exigimos que as pessoas deem tudo delas pra gente, pra ficar mais claro... "pra mim, só pra mim!"

E na solidão a gente pensa. E pensa demais. E deixa de pensar também. Em resumo, o tempo é inexistente. Inexistente só pra quem é solitário, pois tanto faz passar mais ou menos tempo sozinho, consigo mesmo. Basta ter silêncio e olha eu comigo outra vez. A sua própria voz falando na sua mente.

Acho que o final do filme começou a fazer um pouco mais de sentido pra mim, pois é possível ser solitário mesmo acompanhado e como consequência, não vivemos o nosso próprio tempo. Basta não falar o que sinto, guardar pra mim, e a mágica da solidão acontece.

Recomendo que você assista a este filme também e tire suas próprias conclusões!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Né não?

Aí o gringo que trabalha em terras brasilis resolveu achar que eu, nascido em terras brasilis, levava jeito pra gringo. A conta do bar que somava noventa e poucos paus nas mãos dele virou cento e trinta.

Oxe! Mas matemática não muda de país pra país. Pensei: ó pro gringo! Aprender as maracutaia é um-dois, né não?

Mas firmeza. Chamei ele no canto e informei o erro na somatória. Ele prontamente pediu "esculp, esculp".

Relevei, pois sou brasileiro e entendo ele.