segunda-feira, 20 de maio de 2013

Roubada Cultural


Ninguém falando sobre o show dos Racionais MC's. Ninguém falando sobre o Mondo Generator. Ninguém falando sobre as homenagens a Paulo Vanzolini. Ningúem falando sobre Gal Costa, Criolo, Lobão, Jorge Mautner. Ninguém falando sobre os Saraus. Ninguém falando sobre cultura, só sobre violência.

A tática do Panis et Circenses ainda funciona, pois a prova está aí. Novecentas atrações em 24 horas, milhões de pessoas ocupando o centro de uma cidade e duas mortes na conta, sem contar feridos, número oficial de roubos (que deve ser muito maior).

Vale a pena? Suplicy é um amor, mas deu carteirada (Foto: Gabriela Biló/Futura Press)
Tudo o que coloca vida em risco me causa dúvida. Se há risco, deve-se haver segurança. Mas vale lembrar que o efetivo policial desta virada era de quatro mil e quinhentos Policiais Militares, sem contar os Policias Civis. Há harmonia entre as polícias? Que pergunta desnecessária.

Um ano tem 52 semanas; 900 atrações divididas por 52 finais de semana resulta em 17. Por que não realizar 17 eventos, shows, apresentações culturais gratuitas todo fim de semana? Não seria mais inteligente distribuir as 900 atrações durante 12 meses em um ano?

É preciso concentrar todas as atrações em 24 horas, lotando os transportes públicos, que não são eficientes, colocando em prova a segurança, que não é eficiente... deixando absolutamente tudo nas mãos das pessoas? É o caos, uma roubada.

As duas mortes aconteceram por motivos distintos, mas ambos violentos: roubo seguido de morte e overdose. O que é Virada Cultural senão um fim de semana de abusos em vários sentidos?

No início, a Virada foi um acontecimento. Ocupar o centro da cidade de São Paulo era sedutor. Ver as ruas sem carros e o tradicional estresse cotidiano foi incrível. Mas hoje já não é possível ter o mesmo prazer. Se é possível, por favor, ensina-me.

E essa discussão não tem a ver com cobrar ingressos para eventos culturais ao invés de democratizar o acesso, isso é louvável e a prática deve continuar! O debate é sobre o uso inteligente das ferramentas que um município possui e da verba pública.

Volto a dizer: Tudo o que coloca vida em risco me causa dúvida.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mais Responsabilidade Por Favor


Uma das coisas que eu mais amo na internet é a capacidade de abranger a diversidade. Em apenas uma hora é possível encontrar o que é de pior e o que há de melhor nos seres humanos, apenas clicando de link em link. E isso é incrível. Cabe a cada um escolher a via a ser percorrida. Na maioria das vezes gosto de escolher o que é transformador, que provoca a reflexão e mudança nas pessoas.

Atualmente estudo mídias digitais como complemento da minha formação acadêmica e tenho aprofundado nas questões que envolvem o online e offline, assuntos que antes não eram ignorados, mas pouco explorados por mim.

Vejo com bons olhos algumas empresas que buscam não apenas criar propagandas de impacto para tornar seus produtos conhecidos juntamente aos consumidores, mas buscam, além disso, propagar valores que são indispensáveis para o convívio social. Em tempos de crise em vários setores no mundo, da ética à economia, vale a pena enaltecer essas atitudes.

Na comunicação, o storytelling vem sendo usado como uma técnica que alia o desejo de mostrar algo a mais, além do óbvio interesse comercial entre consumidor e produto.


Contar histórias é, na verdade, uma prática social muito comum e bastante antiga e esta ferramenta foi absorvida pelo meio corporativo, passando a integrar o leque de opções para promover uma marca. No entanto, promover a marca juntamente com valores parece ser muito mais eficiente.


Ao meu ver, isso é responsabilidade. É mostrar que vale a pena acreditar nas pessoas, nas empresas. É mudar a maneira invasiva e desleal de fazer comércio. É tornar os meios de comunicação mais úteis para a sociedade. É um novo caminho, que está diretamente ligado a um presente mais digno.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Poesia de Concreto (Kamau)

A sigla Rap significa Rhythm and Poetry, Ritmo e Poesia. Poesia do dia-a-dia que, dependendo do ponto de vista, emerge quase sempre de onde menos se espera.

Volta e meia esse Rap bate à minha porta, pedindo pra entrar e mostrar a mesma versão de uma nova história.


Curta a poesia sem o ritmo, também é muito válido:

De cada calçada de concreto da cidade
cada viga que se ergue
cada vida que se segue
cada cidadão persegue a sua cóta lutando pra se manter
marcando a mesma rota lutando pra nunca se perder
pra não perder não ver a cara da derrota estampada na lorota
que faz ponto a cada esquina encostada em algum poste
pronta pra te desviar da sorte
talvez um corte brusco na sua sina
existem uns que seguem na rotina e não enxergam ao redor
reclama e não se posta pra tornar melhor
acha melhor sobreviver só mantendo distância
de cada sonho que crescia na infância
e cada esperança de criança se mistura ao ar impuro inspirado e espirado,
por cada cidadão comum que deixa escorrer a liberdade
na sarjeta da calçada de concreto da cidade

Dedicada, a cada, poeta da cidade
Dedicada, a cada atleta da cidade
Dedicada a cada ser humano da cidade
que cultiva a liberdade no concreto da cidade

Entre as paredes de concreto da cidade, se esconde o mundo
de quem faz qualquer negócio só pra não ser taxado de vagabundo
sonhos de adultos se decipam por segundo a cada insulto dopatrão
é o culto do faz de conta que eu sou feliz assim
salário no fim do mês é o que conta paga as contas e faz bem pra mim
não é o caso em que eu me encaixo
sonho alto de mais pra viver por baixo igual capacho
e acho que existem outros por aí
que olham pras paredes só pensando em demolir
pra ser livre, mas na real nem sabe como
perdeu toda noção acustumado a viver com dono
não condeno, mas não concordo e não me adapto
fora das paredes mais inspiração eu capto
me sinto apto pra cantar a liberdade
que se esconde entre as paredes de concreto da cidade

Dedicada, a cada, poeta da cidade
Dedicada, a cada atleta da cidade
Dedicada a cada ser humano da cidade
que cultiva a liberdade no concreto da cidade

Algum teto de concreto da cidade, abriga o restante da liberdade
semelhante a que escorreu pela sarjeta da calçada se escondeu entre as paredes ou partiu pra outra
morreu de fome, frio, sede
pois sem abrigo não há, pra onde voltar
pra poder descansar e pensar
na estratégia pra continuar lutando pra manter a liberdade que se tem
as adversidades não se sabe
de onde elas vêm que cara elas tem
pelas mãos de quem vem com ordem de quem alguém, me diz
porque eu não posso ser feliz completamente
sem que alguém ou algo tente, tumultuar minha mente
mas eu sigo em frente, sempre
vou nadando mesmo que seja contra a corrente
pra que eu possa construir meu verso meu abrigo, meu teto
pra fazer minha versão da poesia de concreto

Dedicada, a cada, poeta da cidade
Dedicada, a cada atleta da cidade
Dedicada a cada ser humano da cidade
que cultiva a liberdade no concreto da cidade

terça-feira, 7 de maio de 2013

Um Ato de Coragem

Manias sucessivas. Maus costumes sucessivos. Quem nunca pegou-se no instante em que atitudes estranhas partiram da gente, causando estranhamento ou desconforto a outras pessoas. Bom, isso é relativo, pois do mesmo jeito que tem gente que se percebe, tem gente que não está nem aí. Faz o que tem que ser feito de acordo com seus próprios achismos.

Em contrapartida, quem nunca observou algo bom que fizemos, nem que seja jogar o gafanhoto de volta pro mato, na esperança dele voltar ao habitat dele. "Volta pro mato, o asfalto não é teu lugar". E ao beneficiar uma pessoa, então? Que sensação. No entanto, o perigo pode estar aí, camuflado.

Consciência é um estado que define os seres humanos. Um cachorro não tem consciência que pode morrer a qualquer momento, por qualquer circunstância. Já um ser humano tem. Eis o que nos diferencia entre tantos animais que habitam este planetinha. O pequeno detalhe do saber, que também pode significar saber nenhum.

Você tem consciência dos seus atos?



Pior que não ter consciência dos próprios atos é herdar costumes de outras pessoas. No sentido cultural, herdar uma língua, tradições, dons artísticos, entre outros fatores capazes de enriquecer a existência é totalmente válido, mas herdar as experiências vividas por outrem e aplicar na própria vida, não faz sentido algum!

Notar e observar o que se faz diariamente é um exercício que deveria ser dado na escola, no quadro negro, não apenas na escola da vida, que seleciona apenas alguns nos vestibulares da reflexão e da imposição. O problema é que essa seleção é feita através de experiências, nunca por meio de transferência de informação.

A busca é um ato de coragem, que exige respeito à vida. É aí que surge o nascimento do indivíduo, sem manias e costumes copiados. Sem atitudes pré-programadas. É no inesperado, no desconhecido, que a vida acontece, que a experiência surge e um caminho único passa a ser trilhado. Chega de repetições.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

era sobre alguém


lembra aquela poesia
aquela que não sai da sua cabeça
é preciso tê-la vazia
para lembrar-se daquela poesia

lembra?

era sobre algo
que todo mundo tem
e mesmo assim, tão singelo
o mundo não oferece nem dá

talvez um dia o mundo cobre
com juros de cartão de crédito
por que você pouco se importou pouco
com o que todo mundo tem

difícil aquela poesia
eu tento lembrar os detalhes
mas não consigo
só sei que era sobre sensatez

"Atenção" por Diego Menegaci