sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sensação de Impunidade


Qual sentimento você nutre em situações vulneráveis? Aquele momento em que você está perdido, sem chão, ou então é colocado sob pressão. Preto no branco: você reflete sobre o assunto ou espirra, fala o que vem à mente?

A sensação, quase sempre, é singular. Cada um sente o momento de maneira única. Mas em situações cuja a ação atinge o coletivo, não apenas um grupo isolado, a sensação passa a ser compartilhada e transforma-se numa espécie de senso comum.

Desenvolvi toda essa linha de raciocínio pois é com certa frequência que assuntos ligados à violência urbana chegam aos meus olhos via televisão, rádio, timelines da vida... e é justamente quando esses assuntos provocam sensações que as pessoas mostram o que realmente elas pensam. E convenhamos, não é de hoje. Nada contra revelações e opiniões, contudo, passo a perceber a falta de crítica e conhecimento da realidade como ela é de muita gente. Muita gente mesmo!

Entendo que para muitos o prazer está no desfilar de suas grifes e que, para isso, é preciso ter o mínimo de segurança para que os respectivos pertences não chamem atenção a ponto de serem roubados.

Também entendo que o prazer para outros é ter o que escrever em cadernos e usar poder dialogar sobre assuntos subjetivos ou objetivos, utilizando o que é articulado entre ideias e compreensões.

Pensar no coletivo é uma ação tão distante assim? E quando vamos notar que uma coisa está diretamente ligada à outra? Um distanciamento em prol do bem estar individual, apenas, é isso que vejo. Onde está o olhar para o próximo, a solidariedade... o humanismo?

Temo em perceber que a banalização da vida acontece não enquanto sabemos de um assassinato brutal ou fútil, mas quando ignoramos o descaso ou a ausência de necessidades fundamentais para formar um ser humano com habilidades de conviver socialmente, com respeito ao próximo, no mínimo.

Desculpe, mas tenho uma última questão: para onde caminhamos com essa sensação toda?

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